Menarca, Menstruação e Menopausa

O QUE É A MENARCA?

A primeira menstruação da vida de uma mulher recebe o nome de menarca. Este evento ocorre habitualmente entre os 10 e 14 anos de idade.

Aos 15 anos, mais de 95% das meninas já terão tido a sua primeira menstruação, motivo pelo qual essa é a idade considerada limite para o surgimento da menarca. As meninas que completam 16 anos sem nunca terem menstruado devem ser avaliadas por um(a) ginecologista, para que ele(a) possa investigar os motivos de tal atraso.

A menarca surge porque os ovários das mulheres começam a produzir hormônios a partir do início da puberdade. A primeira menstruação é apenas uma das muitas alterações que o corpo da mulher sofre por influência hormonal ao longo da adolescência.

Quais são os sinais que indicam que a menarca está próxima?

Cerca de 6 meses antes da menarca, a menina passa pela fase final do estirão puberal, que é a fase da adolescência com maior velocidade de crescimento. Meses antes da menstruação, a menina chega a ter uma velocidade de crescimento de 8 a 10 cm por ano. Quando a menstruação chega, a menina já alcançou cerca de 96% da sua altura final, e a velocidade de crescimento cai, anunciando o fim do estirão puberal. Portanto, após a menarca, a menina não para de crescer, ela apenas o faz de modo menos intenso e mais lento. Uma menina que tenha 1,60 metro de altura durante a menarca ainda pode crescer até 1,66 ou 1,67 metro nos próximos 2 ou 3 anos.

O que fazer se a primeira menstruação não tiver aparecido até os 16 anos?

A ausência de menstruação chama-se amenorreia. A amenorreia é dividida em duas formas: primária e secundária. Quando a menstruação para de descer em mulheres que já menstruaram alguma vez na vida, chamamos de amenorreia secundária. Quando a mulher chega aos 16 anos* sem nunca ter menstruado, dizemos que ela tem amenorreia primária.

* Alguns médicos consideram 15 anos, em vez de 16, a idade limite para a dizer que a menina tem amenorreia primária.

O QUE É O CICLO MENSTRUAL? 

O ciclo menstrual normal pode ser dividido em dois segmentos: o ciclo ovariano e o ciclo uterino, com base no órgão examinado.  O ciclo ovariano pode ser ainda dividido nas fase folicular e lútea, enquanto o ciclo uterino é divido nas fases proliferava e secretora correspondentes. As fases do ciclo ovariano são caracterizadas da seguinte forma:

1. FASE FOLICULAR

Os hormônios promovem o desenvolvimento ordenado de um único folículo dominante, que deve estar maduro no meio do ciclo e preparado para ovulação. A duração média desta fase varia de 10 a 14 dias, e a variabilidade nessa duração é responsável pela maioria das variações na duração total do ciclo.

2. FASE LÚTEA

Período desde a ovulação até o início da menstruação, com duração média de 14 dias.

Um ciclo menstrual normal dura de 21 a 35 dias, com dois a seis dias de fluxo, e perda sanguínea média de 20 a 60 ml. Entretanto, estudos de grandes números de mulheres com ciclos menstruais normais mostram que apenas cerca de dois terços das mulheres adultas têm ciclos com duração de 21 a 35 dias. Os extremos da vida reprodutiva (logo após o início da menstruação e na perimenopausa) são caracterizados por uma maior porcentagem de ciclos anovulatórios ou irregulares.

Calcule o seu ciclo Menstrual 

Quanto sangue perdemos na menstruação?

Em média, as mulheres perdem cerca de 30 a 50 ml de sangue a cada ciclo menstrual. O limite do que é considerado normal está ao redor de 80 ml por ciclo.

Obviamente, nenhuma mulher fica medindo o volume de sangue menstrual e o que sai na menstruação não é só sangue, mas também um bocado de tecido do endométrio e secreções vaginais.

Portanto, de forma mais simples, consideramos um sangramento menstrual anormal se a menstruação apresentar uma ou mais das seguintes características:

  • Duração maior que 8 dias.
  • Necessidade de trocar o absorvente mais de 6 vezes por dia.
  • Ciclos menstruais que ocorrem com intervalos menores que 24 dias.
  • Impressão de que o fluxo menstrual está bem maior do que o habitual, mesmo que ele não se encaixe nas 3 condições acima.

HEMORRAGIA MENSTRUAL

A hemorragia menstrual excessiva, cientificamente chamada de menorragia, pode ser perigosa porque provoca a diminuição acentuada de ferro e aparecimento de anemia, reduzindo a quantidade de oxigênio no organismo. Além disso, em alguns casos a hemorragia menstrual pode ser sinal de alguma doença mais séria, e, por isso, é importante consultar o ginecologista para que seja feita uma avaliação e sejam indicados exames para confirmar o diagnóstico.

TRATAMENTO PARA HEMORRAGIA MENSTRUAL

O tratamento para hemorragia menstrual depende da causa do sangramento excessivo. Assim, nos casos relacionados com a produção de hormônios, geralmente, os remédios para parar a hemorragia menstrual são os contraceptivos orais.

No entanto, quando a hemorragia acontece devido à infecção, pode ser indicado pelo médico o uso de antibiótico. Em casos mais graves, como mioma uterino ou câncer, a cirurgia de histerectomia pode ser indicada para remover uma parte ou a totalidade do útero. 

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO HISTEROSCÓPICO

O sagramento uterino anormal pode ter inúmeras causas. Essa característica reforça a necessidade de uma boa entrevista sobre o histórico clínico da mulher, bem como de um exame físico detalhado, para que sejam solicitados exames realmente necessários

O exame auxiliar inicial é a ultra-sonografia transvaginal. Ele avalia causas orgânicas do sangramento, como miomas e alterações do endométrio (camada mais interna do útero). 

Na pós-menopausa, o endométrio deve ter espessura menor que 5mm. Quando é maior, existe um risco de 4% para câncer ou hiperplasia deste tecido, sendo necessário avaliação adicional para esclarecimento diagnóstico.

A biópsia sem visibililização direta para avaliação da cavidade uterina é uma técnica de pouca  precisão para diagnóstico de afecções endometriais focais comumente associadas com o sangramento uterino anormal, como pólipos endometriais, miomas submucosos, e lesões pré-malignas e malignas. 

A curetagem uterina semiótica embora seja altamente sensível para diagnóstico do câncer de endométrio e lesões pré-malignas, falha no diagnóstico das lesões focais. Em 60% dos casos avalia menos da metade da cavidade uterina e em 16% menos de um quarto (Stock e kanbour , 1975)

A histeroscopia ambulatorial, indicada nos casos de suspeita de afecções do endométrio, possibilita a visibilização de toda a cavidade, das características do endométrio e propicia biopsia dirigida ou retirada completa de lesões focais, apresentando várias vantagens em relação à curetagem uterina: não é necessário internação hospitalar e anestesia, e tem maior acurácia no diagnóstico e tratamento das lesões focais como pólipos e pequenos miomas.

Miomas maiores são abordados preferencialmente através da histeroscopia cirúrgica.

O diagnóstico e tratamento histeroscópico das diferentes causas envolvidas no sangramento uterino anormal, são altamente efetivos com técnicas mais conservadoras e com vantagens em relação aos métodos mais radicais, mas, seu sucesso depende muito da experiência do histeroscopista.

The young woman wearing a pink shirt is suffering from abdominal pain, isolated on white background.

PRINCIPAIS INDICAÇÕES PARA A VIDEOLAPAROSCOPIA

A videolaparoscopia é uma cirurgia minimamente invasiva, através da qual é permitida a visibilização do interior do abdome com auxílio de uma câmera. É um recurso que pode ser utilizado em cirurgias programadas ou de emergência. 

Mais frequentemente está indicada para o tratamento de:

I – Dor pélvica aguda

As causas ginecológicas mais comuns de dor pélvica aguda são: gestação ectópica (fora do útero), doença inflamatória pélvica, cisto de ovário hemorrágico e torção do anexo (ovário e trompa). 

II – Dor pélvica crônica

A videolaparoscopia esclarece o diagnóstico, permite o diagnóstico diferencial, coleta de material para avaliação anatomo-patológica (biópsia) e a confirmação em casos de endometriose.

Podemos encontrar diagnósticos variáveis como varizes pélvicas, cistos ovarianos, seqüelas de doença inflamatória pélvica e aderências. É fundamental ao elucidar de forma precisa, três das principais preocupações das pacientes acometidas por dor pélvica crônica: o temor de câncer, o medo da infertilidade irreversível e a incômoda sensação do não esclarecimentos dos sintomas dolorosos. Independentemente destes aspectos, têm-se bem determinado de que em torno da metade dos casos das pacientes submetidas à videolaparoscopia por dor pélvica crônica, terão os seus diagnósticos e condutas estabelecidos durante o ato operatório. São considerados procedimentos cirúrgicos laparoscópicos para o tratamento da dor pélvica crônica na presença de aderências pélvicas: liberação de aderências ao redor das trompas, ovários, intestino; retirada de trompas; tratamento de endometriose; retirada de cistos de ovário; retirada do útero (histerectomia) em casos selecionados.

III – Endometriose

A endometriose atualmente apresenta uma elevada incidência na população feminina em idade reprodutiva, sendo a videolaparoscopia considerada o padrão-ouro de investigação e tratamento, ao permitir não só a confirmação diagnóstica, bem como estabelecendo o correto status em relação ao comprometimento reprodutivo, possibilitando a realização do tratamento cirúrgico mais adequado. Para o tratamento cirúrgico da endometriose a videolaparoscopia se impõe como método preferencial.

IV – Massas pélvicas e cistos de ovários

Permite a avaliação, diferenciação e confirmação de diagnósticos de tumores pélvicos, com uma  uma abordagem muito mais conservadora nas doenças ovarianas, viabilizando intervenções delicadas e a diferenciação do tecido ovariano normal do patológico, preservando o máximo possível da estrutura ovariana normal. Considera-se que a via laparoscópica é a de escolha para o tratamento dos cistos ovarianos benignos, principalmente nas mulheres em idade reprodutiva e com desejo futuro de gravidez.

V – Doença inflamatória pélvica

A videolaparoscopia permite, nas situações clínicas mais complexas, a diferenciação entre inflamação e/ou infeção do anexo (ovário e trompa) e apendicite. No caso de processo inflamatório pélvico permite a coleta de material para cultura, avaliação do comprometimento da fertilidade e drenagem da cavidade pélvica.

VI – Anomalias e malformações genitais

A videolaparoscopia possibilita a visualização direta das alterações uterinas, propiciando diagnóstico preciso (nem sempre possível com os métodos de imagem) e o tratamento de algumas condições, tais como: retirada de útero rudimentar e remoção das gônadas em casos selecionados.

VII – Infertilidade

É um capítulo amplo da videolaparoscopia, tanto para a obtenção de diagnóstico na chamada infertilidade sem causa aparente, como tendo atuação decisiva em muitos casos de infertilidade, podendo solucioná-los ou melhorar muito as condições para uma futura reprodução assistida.

VIII – Complementar à histeroscopia

É auxiliar valioso no controle de alguns casos de cirurgia de remoção de septo uterino e de liberação de aderências uterinas realizadas pela técnica histeroscópica. Através da sua monitorização, possibilita menor risco de lesão intestinal e perfuração uterina. Em casos selecionados de miomas submucosos, a indicação de laparoscopia associada à histeroscopia apresenta benefícios, oferecendo maior segurança ao procedimento cirúrgico.

IX – Miomatose uterina

A abordagem de miomas, a depender da sua localização e tamanho, pode ser realizada quase em sua totalidade por via laparoscópica.

X – Histerectomia (retirada do útero)

A histerectomia laparoscópica, quando comparada à histerectomia abdominal (corte semelhante ao da cesárea), oferece várias vantagens para paciente, como menor morbidade, menor tempo operatório e uma recuperação e um retorno às atividades normais em período mais curto. 

XI – Uroginecologia

Os procedimentos laparoscópicos também têm um papel secundário na correção de incontinência urinária, sendo os procedimentos vaginais hoje os mais recomendados.

 XII – Laqueadura tubária

É a cirurgia laparoscópica mais acessível e a de menor complexidade em ginecologia. O tempo cirúrgico é muito pequeno e a recuperação da paciente é muito mais rápida do que a observada nas demais técnicas cirúrgicas abdominais. 

XIII – Distopias Genitais e Prolapso de cúpula vaginal

 A via laparoscópica possui vantagens, pois permite melhor identificação dos defeitos do assoalho pélvico com possibilidade da correção da “descida” da bexiga e do útero, ou do fundo da vagina.

XIV – Oncologia

Os benefícios da abordagem laparoscópica já estão bem estabelecidos. Pode ser utilizada para o tratamento do câncer de ovário, câncer de endométrio e câncer de colo uterino.

COMO FICA A MENSTRUAÇÃO NA MENOPAUSA

O corpo da mulher começa a se preparar para a menopausa entre os 45 e 55 anos. A menopausa é o nome que se dá à última menstruação e esta fase traz uma série de mudanças e adaptações ao corpo da mulher. Algumas mulheres, nesta fase, podem sentir alterações no organismo, que causam diversos sintomas, como ondas de calor, tonturas, palpitações, suores noturnos, distúrbios do sono, depressão, irritabilidade, irregularidade menstrual, diminuição da libido, entre tantos outros.

É fundamental que a mulher tenha o acompanhamento de um ginecologista nesta fase para aliviar o desconforto. Para ter qualidade de vida na menopausa, seguem algumas dicas no dia a dia:

  • Pratique atividades físicas, principalmente exercícios aeróbicos e de fortalecimento da musculatura
  • Converse com o seu médico sobre o consumo diário de cálcio.
  • Exercite seu cérebro em jogos de raciocínio e palavras cruzadas. Isso ajuda a reduzir o risco de perda de memória durante a pós-menopausa
  • Aprenda a ter bons hábitos de sono. Você sabia que a falta de sono pode contribuir para a confusão mental e baixa libido?
  • A reposição hormonal é um assunto de extrema importância para discutir com o médico. Faça uma lista com ele com os prós e contras sobre a terapia de reposição hormonal. Ela não é recomendada para mulheres em situação de risco para câncer de mama, trombose ou doença cardíaca

Queixas ocultas

A mulher madura também tem outras queixas e nem sempre ela tem coragem de desabafar. Falta de desejo sexual, falta de excitação, ausência de orgasmo e dor no ato sexual são comuns. A consulta com o ginecologista vai discutir aspectos tanto físicos quanto emocionais.  Terapias hormonais podem auxiliar para o aumento da libido. Mas apenas um médico, após avaliação e até exames laboratoriais, é quem pode indicar.

Especialistas apontam que, muitas vezes, o próprio processo natural de envelhecimento causa desconforto nas mulheres.

O tratamento medicamentoso depende muito dos sintomas que a paciente relata, porém ele pode ser realizado também com antidepressivos, fitoterápicos e cremes vaginais, tanto hormonais quanto lubrificantes, que diminuem o ressecamento local.

Referências

  • Normal puberty – UpToDate.
  • Your First Period (Especially for Teens) – American College of Obstetricians and Gynecologists.
  • Physiology, Menarche – StatPearls.
  • Zitelli BJ, et al. Pediatric endocrinology. In: Pediatric Physical Diagnosis. Philadelphia, Pa.: Elsevier; 2018.
  • Kliegman RM, et al. Disorders of puberty. In: Nelson Textbook of Pediatrics. 20th ed. Philadelphia, Pa.: Elsevier; 2016
  • S. Berek, Jonathan. Berek & Novak Tratado de Ginecologia. Décima Quarta Edição. 
  • www.mdsaude.com
  • www.tuasaude.com
  • FEBRASGO – Manual de Orientação Endoscopia Ginecológica

Consulte um ginecologista regularmente.  Esteja atenta a sintomas. Cuide-se e Previna-se.

Dra. Nadia Pavarini 

GINECOLOGISTA E OBSTETRA

Sou uma Especialista que oferece a TELEMEDICINA

Caso você prefira ser atendido em casa, agende uma consulta online e receba a orientação que precisa. 

Agendamento: https://bit.ly/2UOnwnl

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